Tatuagem

Não gosto de tatuagens. De algumas desgosto mais que de outras, como, por exemplo, nomes de pessoas gravados para afirmar e confirmar a relação amorosa do momento.

De fato, tatuar o nome de alguém na própria pele é uma prova de imensa paixão, quase idolatria. Como o parto normal (hoje em dia), reverencia a tradição e o masoquismo. Há controvérsia no que digo, porque o parto é um processo biológico natural. Já a tatuagem… sei lá… para mim, ambos traduzem primitivismo.

Submeter-se à dor por vontade e gosto é uma atitude que indica um quê de insanidade. É preciso estar perdidamente apaixonada (e, portanto, louca) para ser um outdoor permanente do meu sentimento por alguém. É acreditar na eternidade do meu amor e no amor do outro por mim. É uma questão de fé. Fé na eternidade dos feitos humanos.

Sou uma mulher de pouca fé. Não creio em humanidade eterna. Não creio em divindades. Não creio em eternidades.Tenho ojeriza ao absoluto.

A tatuagem é assim, uma decisão sem reparo. Da feita que está feita, ficará lá, para sempre. Ou na forma concebida, ou como cicatriz. A primeira, lembrará para sempre o auge da alegria da paixão; a segunda, a dor do rompimento e do abandono. Nos dois casos, torna-se o registro do fracasso vivido. Vívido.

Prefiro lidar com a metáfora. Ficar marcada a frio, ferro e fogo no outro. Na mente, na alma, no corpo… feito tatuagem

que é pra te dar coragem, de seguir viagem, quando a noite vem…

Meus amores são assim.

Tatuagem, Chico Buarque

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