Arquivo do dia: 23/02/2012

Meu nome não é Margareth

Mas…

O feriadão do carnaval foi fantástico para eu ficar caraminholando à toa. Pensei tanto que engordei dois quilos. Juro! É porque quando penso, automaticamente, começo a comer tudo o que está na minha frente e, se não tiver nada na frente, vou atrás.

Muito antigamente, lá por 1830, minha fome tinha múltiplos vieses. Eu tinha fome de aprender, de conhecer novos lugares e pessoas, de sucesso profissional e assim por diante. Tinha, especialmente, fome de sexo, refrigerantes e MPB, versão comportada de sex, drugs and rock ‘nd roll. Toda essa ansiedade de viver gastava muita energia, porque eu me desdobrava para matar aquelas fomes. Meu “prato” era colorido, como o exigem os nutricionistas, e a silhueta esbelta.

E hoje? Ando com preguiça. Pensava que era porque as ofertas que aparecem, não me apetecem. Mas não é. Continuo a mesma pessoínha que “se não for agora” ou “se não for do jeito que eu planejei”, não quero mais. O agora é a desculpa para ser menos exigente, porque quando os instintos estão no comando, o critério é básico. Passado o entusiasmo inicial, o bom senso impera e aí, as exigências vão somando, multiplicando, esponenciando…

Não sei se em outro lugar é diferente, mas, por aqui, tudo é meio no improviso e tudo pode ser feito depois ou no limite do prazo. Gosto de planejar, de ir atrás, de tomar decisões e realizar. Esse negócio de reunir, discutir horas e falar do sexo dos anjos me irrita, desgasta. Não tenho cabeça de empresário, mas tenho a atitude de lacaio gerente malcriado. Só não tenho nenhum perfil de viver a vida de índio, de viver o tempo da natureza. Estou me esforçando para ser assim e, incrível, é até fácil cuidar da casa, ver TV, assistir série e ficar cuidando dos que me cercam. Mas me tira todo o tesão  ser meio eu.

Meu apelido já foi Margareth Thatcher. Os vendavais e tempestades que passei se encarregaram de suavizar meu jeito de ser.  O virus do autoritarismo, entretanto, está só hibernando…